<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977</id><updated>2012-01-26T01:22:27.487-02:00</updated><title type='text'>No caminho para cá</title><subtitle type='html'>Escrevinhas, rabiscos, proposições</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>29</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-3118888133058941048</id><published>2012-01-26T01:22:00.000-02:00</published><updated>2012-01-26T01:22:27.491-02:00</updated><title type='text'>Joelhos</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: 150%; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Olhos baixos. Preto não, que ela nãovestia preto. Nenhum pensamento em especial, mas evitava palavras. Olhavapara os joelhos. O movimento em torno do caixão no meio da sala lhe era incompreensível. Odiavaseus joelhos agora grudados e jurava que, de hoje em diante, eles lhe seriamescravos. Sentiu uma estranha cãibra no abdômen, sua coluna se curvou um poucomais e algum desatento podia supor que ela soluçava. A respiração acelerou, a boca entreaberta e muda, os olhos fechados com força. Não tornariaa olhar para ele. A mão espremia um lenço que alguém lhe dera e ela percebeuseus mamilos rijos. As mãos agarraram a borda da cadeira estofada. O assentoestava quente e os joelhos tentavam se separar contra vontade. Inútil.&amp;nbsp;Crispou o lenço e pequenas ondas vararam seu corpo. A cabeça se jogoupara cima com mais energia do que seria de se esperar e os olhos continuavamcerrados. Pouco importava. Soltou a respiração forçada e lentamente enquantoos ombros cederam, a boca abriu sonora e o corpo abandonou a tensão quesustentara por um tempo. Ofegava. O caixão estava a caminho da sepultura,levando este último orgasmo. &amp;nbsp;E ela determinada a fazer dos joelhos seusescravos.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-3118888133058941048?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/3118888133058941048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2012/01/joelhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/3118888133058941048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/3118888133058941048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2012/01/joelhos.html' title='Joelhos'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-8318395678743197447</id><published>2011-07-13T14:42:00.002-03:00</published><updated>2011-07-13T14:44:51.455-03:00</updated><title type='text'>Cota</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #f3f3f3;"&gt;&lt;i&gt;Para ler ouvindo esta versão de Beatriz, embora este provavelmente não seja o nome da personagem.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=u9q-jL369eQ"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=u9q-jL369eQ&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #f3f3f3; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Ele se sentia crescer dentro da pele e os poros estufarem. Olhar para ela sempre produzia essa sensação. Pelo menos, era assim que ele conseguia explicar. Sem sucesso, porque ela não entendia, mas que importância? Ela tinha o poder de mudar a memória dele. Gostava de ir a lugares com ela, porque depois, de olhos fechados, as cores em sua cabeça eram quase cítricas e as imagens alucinógenas.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Se ela era linda? Corpo perfeito? Cabelos de Iracema? Provavelmente, mas ele já não sabia mais. Ficava tudo nos detalhes, na luz, nos movimentos de suas mãos. Se era boa cozinheira? Sim, pois fazia o melhor Miojo que ele já tinha provado, de verdade. Ele se lembrava da textura do macarrão e do sabor do caldinho, com os olhos dela postos do outro lado da tigela, brilhantes, fixos nele. Ele tinha tanta alegria em vê-la que os movimentos dos lábios dela eram suficientes, as palavras eram detalhes. E ela falava pouco, com frequência abaixava os olhos quando se cruzavam com os dele, a voz ficava mais baixa e a pele rosada. É claro que ele não dizia isso tudo pra ela, até porque não sabia ordenar as palavras assim. Só sabia que crescia dentro da pele e os poros estufavam. Um dia ela ia entender. E estavam sempre juntos, tudo que ele fazia era com ela, de batizados a velórios. E só podia ser assim. Sua vida era serena, o ritmo da respiração constante. Todo seu dinheiro era compartilhado e todos os esforços feitos em seu nome. Às vezes, achava estranho sentir-se assim, pela novidade. Não perguntava, mas sabia que nenhum de seus colegas experimentava algo ainda que próximo disso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #f3f3f3; font-family: 'Trebuchet MS', sans-serif;"&gt;Foi com orgulho que viu quando ela se determinou a estudar também, agora que ele terminara contabilidade. De noite. Sabia que era sacrificado, pois precisavam que ela trabalhasse de dia para ter o suficiente para outra faculdade. Tinha noites que ela chegava tão tarde e cansada das aulas e dos ônibus que nem jantava. Respeitoso, acompanhou o esforço dela, calada durante os quatro anos seguintes e com aquele sorriso plácido. Foi com orgulho que viu que ela se formaria sem ter tido DP, sem ter precisado pedir ajuda a ele, sem reclamar. Foi com estranhamento que viu quando ela fez as malas e partiu com um cara que dizia “eu te amo” e cheirava a sexo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6.0pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: white; font-family: Times, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-8318395678743197447?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/8318395678743197447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/07/cota.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/8318395678743197447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/8318395678743197447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/07/cota.html' title='Cota'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-3814016014153496424</id><published>2011-05-24T02:48:00.001-03:00</published><updated>2011-05-24T02:50:42.297-03:00</updated><title type='text'>Assentado</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Para Ana Célia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;O cara gostou de eu ter aceitado participar. Mutirão para construir ponte liberando acesso ao assentamento do MST? Pra ajudar a organizar as atividades, eu vou, mas construir, me recuso. Além do mais, são 130 quilômetros aqui de Cuiabá até Campo Verde. Estrada ruim... Faça-me o favor. Ah, também, não é tão grave assim. Desde que deixei o serviço e tive que me mudar pra cá, não tem muito que eu tenha pra fazer.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Ele me pegou desprevenido no jogo de dominó. Ficando sempre tão sozinho, acho que me deu vontade de papear. Ainda por cima, ele veio me fazer pergunta sobre um assunto em que eu nado de braçada! A gente estudou tanto isso nas aulas de construção civil. Era aquele papo furado sobre carestia e futebol , o dominó estava sem graça e alguém perguntou como iam as coisas no assentamento. Minha orelha levantou, é claro. Não demorou muito e ele veio com a dúvida sobre o processo construtivo para a tal ponte. Incrível como a minha mente continua afiada, mesmo depois de tanto tempo afastado.&amp;nbsp;Passei a olhar em volta e gravar detalhes – força do antigo hábito – a roupa que cada um estava usando, um jeito de falar, a hora, o que cada um estava bebendo, a posição das pessoas em torno da mesa, o nome do garçom. Foi mais forte que eu – quando vi, estava lançando a isca “Ponte fixa? Vocês estão pensando em biapoiada ou de cavalete?” Ah, todo mundo ficou curioso. E ele nem tinha ideia – só sabia que precisavam melhorar o acesso para o pessoal assentado – transportar mercadoria, levar crianças pra médico – essas coisas. Eu adorei as caras. “Biapoiada é melhor em vãos menores, de até 12 metros, mantendo-se um metro em cada margem por segurança.” Nessa hora, ele perguntou qual era a capacidade de carga. Eu respondi em cima: Ora, isso depende do comprimento e da largura. (O que será que eles queriam atravessar por ela?) De quantos homens eles iam precisar para a instalação sobre o rio? 10 a 12.&amp;nbsp;Mas no caso de uma ponte sobre cavaletes, seriam necessários 20 a 40 – em compensação, teriam uma estrutura mais estável.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Estava no papo e o convite veio logo em seguida. Na verdade, eu não planejei nada, foi mais forte que eu. Coisa do hábito.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;No caminho, é claro que ele perguntou o que eu fazia, se era da defesa civil. Menti, pra variar. Caixa do Bradesco.&amp;nbsp;Essa resposta é fatal – não sobra assunto nenhum depois dela.&amp;nbsp;&amp;nbsp;Lá, eu vi como esses caras estão organizados – planejamento, escola, produção, maquinário. Mas o tempo todo, eles ficam lembrando o tal “massacre de Carajás”. Coisa chata. Se eles não tivessem acuado os policiais, não teriam obrigado a tropa a reagir. Faça-me o favor – policial também tem família, também tem medo, também é ser humano – uns erraram por acuar, outros por reagir. Mas não há governo com colhões pra acabar com esse negócio de mártir. Coisa ridícula, faça-me o favor.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Acontece que essa história levantou meus demônios. Já menti tanto, mudei tanto. A Neide não ia suportar pra sempre mesmo. Eu vivia tenso, preocupado, ligado em tudo. Depois, era tanta briga - ela não conseguia entender que não era só por mim, eu cuidava de nós dois. Eu não tenho culpa se tudo mudou de repente. Era o meu trabalho e eu era bom nele. Era observador, fazia bons relatórios. Não tenho culpa se tudo mudou de uma hora pra outra. Eu só lamento quase ter batido nela. Foi uma vez só, mas ela me tirou do sério. Foi muito rude. E olha que isso é difícil de fazer. Mas me chamar de frouxo? Frouxo eu nunca fui. Não tenho culpa se tudo mudou sem essa nem aquela. É, bater também não ia ser solução. Eu ainda me segurei, me arrependi na hora, mas depois disso, era uma questão de tempo. Eu jurei que nunca mais ia cometer esse erro. Bom, até que ela aguentou muito. Mas de repente, eu percebia alguém me olhando muito. Ficava todo ligado e já começava a procurar casa para mudar. Aí, era briga na certa – ela já tinha se instalado e ia começar a vida de ciganos de novo. Eu não sou um cara fácil. Tenho manias – mas ela também tem. Além do mais, se eu vivia olhando em volta, era por nós, não por mim. Um dia chegou quando eu entendi que, lá em São Paulo, não tinha mais clima pra viver. Agora, eu fico muito só. Queria que ela estivesse aqui também. Mas ela está casada, o cara é contador, têm filhos – eu nem quis saber quantos. Talvez pudessem ter sido nossos – nem filhos a gente chegou a ter. Comigo, só tenho a culpa de ter arrastado a Neide por essa minha vida. Nunca mais me casei. Pra que? Decidi isso na hora que ela bateu a porta. Nunca mais. E agora sou eu que vivo preso – preso pra fora, de castigo, com esse remorso que me consome. Eu sinto esta dor pela dor que eu causei a ela.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;S&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;ó que eu não fiz nada errado e isso me atormenta mais que qualquer coisa. Eram ordens, eu defendia a ordem, fazia a minha parte. Era um verdadeiro cidadão. Hoje, o pessoal fala que tem saudade do Figueiredo e da gonorréia. Piada sem graça, até porque o Figueiredo era um idiota, metido, decadente. Não tinha o espírito das Forças Armadas. Ele trouxe o fim, adiantou o fim. Saudade, eu tenho do Médici – simpático, mas firme. Presidente-sorriso. Eu sentia orgulho do que fazia. E sabia que a população estava protegida. Ele não se furtou quando os árabes aumentaram o preço do petróleo. Ampliou a importação e o consumo do óleo, ampliou a produção industrial. Era um governo com colhões. Começou a controlar a migração interna –tinha nordestino chegando a São Paulo o tempo todo – alguém precisava fazer alguma coisa, acabar com aquilo. Não tinha trabalho nem para os paulistanos, onde a gente ia achar vaga para nordestino? Pois ele começou e o Geisel continuou. Hoje em dia, a gente tem que suportar boiola, sem terra, traficante e torcida organizada. E tudo se justifica pela defesa dos direitos humanos. Aí, vem&amp;nbsp;&lt;i&gt;skinhead&lt;/i&gt;&amp;nbsp;e grupo de extermínio tentar botar ordem na bagunça. Não acho certo, mas se tivesse macho no governo...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Eu sei que eu sempre respeitei a hierarquia e fiz meu trabalho com determinação. Tudo que eu fazia eram contatos; ia até o campus, frequentava reuniões dos Centros Acadêmicos, observava os participantes mais ativos. Depois, era só descobrir nomes e passar para os caras no DOI-CODI. Trabalho limpo – eu tinha facilidade pra conversar com qualquer um, tinha jeito pra puxar assunto e fazer os caras se abrirem, pegava as informações num minuto. E civilizado. Nunca torturei e nunca matei nem uma pulga. Nunca! Mas traíra, não era. Eu cumpria com meu dever cívico. Faria tudo outra vez, do mesmo jeito. A molecada achava engraçado confrontar a autoridade, mas precisamos de hierarquia, uma casa precisa, funciona no exército – quer dizer que país também precisa&amp;nbsp;. E aquele Zé Dirceu, então? Me dava nos nervos. Vivia ali na Maria Antonia, ciscando ora no Mackenzie, ora na USP. Subia em qualquer caixote e fazia palanque. Sujeito promíscuo, cínico. Mas era bonitão – a mulherada caía matando. Dizem que passava até doença venérea pras meninas. E não usava camisinha não, que isso não é coisa de homem. Eu sei, eu conversava com todo mundo. Agora, fica posando de bom moço. E ainda dão cargo pra ele?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Bem, a gente ia voltando pra Cuiabá quando o ‘companheiro’ disse que estava muito preocupado com seu filho. Achava que o garoto andava revoltado. Talvez estivesse recebendo pouca atenção, que circulava com um pessoal ruim que podia levá-lo para o mau caminho. Não conseguia se decidir por uma profissão. Estava perdido, coitado. Adolescente com problema emocional, revoltado – babaca, isso sim. Só faltava essa. É a síntese do que a gente vê hoje no país, nesse mesmo país que, um dia, eu ajudei a defender das forças ocultas e das expostas também. Gente que não assume, que não é responsável pelo que faz e pelo que é.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;E sabe o que o cara fez, exatamente naquela hora? Suspirou, disse que a culpa devia ser dele, e ligou o rádio. Pois não é que estava tocando “Apesar de Você”? Justo aquela que a Dra. Solange liberou, que vendeu muito antes de a gente perceber que era música de protesto. Era muita humilhação.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 6pt; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 15px;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;E eu vou morrer de rir&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;E esse dia há de vir&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Antes do que você pensa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Apesar de você&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Apesar de você&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Amanhã há de ser outro dia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Você vai ter que ver&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;A manhã renascer&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;E esbanjar poesia&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Como vai se explicar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Vendo o céu clarear, de repente,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Impunemente?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Como vai abafar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Nosso coro a cantar,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Na sua frente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Apesar de você&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Apesar de você&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Amanhã há de ser outro dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;Você vai se dar mal, etc. e tal,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: 15.8pt; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 35.4pt; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm;"&gt;&lt;span lang="ES" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: 11pt;"&gt;La, laiá, la laiá, la laiá…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="border-collapse: collapse; font-size: 13px; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span lang="ES"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;Foi mais forte que eu. Dei uma desculpa qualquer, fiz o cara parar o carro, peguei uma pedra e acertei a cabeça dele, bem aqui. Mas juro que foi o primeiro cara que eu matei – disso eu tenho a consciência tranquila. Onde eu assino?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-3814016014153496424?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/3814016014153496424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/05/assentado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/3814016014153496424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/3814016014153496424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/05/assentado.html' title='Assentado'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-7786856297944069822</id><published>2011-05-09T15:49:00.000-03:00</published><updated>2011-05-09T15:49:14.367-03:00</updated><title type='text'>Novelo</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, serif;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: 15px; line-height: 17px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, serif;"&gt;Pela Nhambiquaras, acho que vai mais livre do que pela Ibirapuera Xi, essa aqui é contramão Tsc, não era hora pra ter conserto e caminhão parado Não tem guarda, vou entrar devagarzinho Vai, seu molenga Tá procurando vaga bem na minha frente Anda logo, está tudo lotado Pela direita, acho que eu chego lá Pô, desculpa, não deu pra desconfiar que foi sem querer, cacete? Oh, seu guarda, se eu for por aqui, ei, seu guarda... Ei Bem, talvez um pouco de som ajude *Dicas para ser feliz** Seja ético Estude sempre e muito Acredite sempre no amor Seja grato a quem participa nas suas conquistas Eleve suas expectativas Não tem jeito, vou chegar tardíssimo Eu ligo e aviso que estou presa no trânsito Eles vão entender Cidade grande é assim mesmo Se não entenderem, eu levo umas flores... ou um bolo Também posso dar uma desculpa, tia doente sempre ajuda nessas horas Cresce e fala a verdade Saí atrasada porque estava acertando a sobrancelha Melhor mentir Curta muito a sua companhia O que a senhora disse? Largo Treze? Não, não sei chegar lá, sinto muito Tenha metas claras Ai, essa letra não sai da minha cabeça e eu não lembro a melodia *Tell me how does God choose? Which prayers does He refuse? *** Nã nã nã Não La La La Oh, caramba Cuide bem do seu corpo É, olha o que eu ganho por acertar as sobrancelhas Nã nã nã Droga De que adianta este GPS se eu não saio do lugar Declare o seu amor Amplie os seus relacionamentos profissionais Seja simples Esquerda ou direita? Rápido Por aqui... parado também Moço, me dá uma água por favor Moço, ei Pensando bem, me vê duas Quanto é? Uma por 2,25 e duas por 5,50? Como assim, foi o Sérgio Naya quem te ensinou cálculo, fala sério Nã nã nã Ai, some Tô mais perdida que surdo em bingo E atrasada Ai, se eu perco essa conta Por falar em conta, por que eu fiquei só com 15 reais se a água custou 4,50? Não imite o modelo masculino do sucesso Tenha um orientador Liberte-se do vício da preocupação O amor é um jogo cooperativo Do que esse cara tá falando? Se eu me livrar do vício, não vou poder jogar o jogo do amor Vou usar essa na reunião Um pouco de humor sempre agrega Tenha amigos vencedores Diga adeus a quem não o(a) merece Resolva! Aceite o ritmo do amor Meu, do que que esse cara tá falando? Não, guri, não tenho trocado Não, nem 10 centavos Celebre as vitórias Se eu conseguir escapar deste engarrafamento, já me dou por vencedora Nã nã nã Caramba Perdoe! Só se for o autor deste troço Arrisque! É, olha a multa que vou ganhar por ter entrado naquela contramão Tenha uma vida espiritual Muita paz, harmonia e amor Cara, eu vou desligar esta joça, antes que ele diga que se não der certo é porque eu não tentei o suficiente Tentar o rádio *A mãe biológica dele seria portadora de esquizofrenia e somente alguém com uma séria patologia mental cometeria crimes com tal crueldade**** Logo cedo? &amp;nbsp;Melhor não Este outro CD, talvez Poesia? Não tem música neste carro? *Cada vez mais para dentro Mais sem saída Mais sem ar Mais úmido Eu te cuspo Te sujo Te uso Te escuro Te acuo Te esgano Te estupro Te esmago Te prendo Te proíbo Te oprimo Te obrigo Te agrido Te aperto Te anulo Trapaceio Te desprezo Te ignoro Te destrato E só assim te atinjo Não me fascino* *E não me satisfaço**** *Aaaaahhhh Melhor espiar um livro, já que até o motor do carro eu desliguei *Eu pensava que a palavra tem que servir.. Uma vez eu disse que destruiria minha pena no instante em que a percebesse gratuita, liberta de intenção de servir alguma causa ou alguém... Devia ter quebrado minha pena várias vezes...****** Nã nã nã&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, serif; line-height: 115%;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt; *&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;a href="http://www.google.com/url?sa=D&amp;amp;q=http://clubdovendedor.com.br/2011/02/11/shinyashiki-dicas-para-ser-feliz/" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, serif; line-height: 115%;"&gt;http://clubdovendedor.com.br/2011/02/11/shinyashiki-dicas-para-ser-fe...&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, serif; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, serif; line-height: 115%;"&gt;** Verso da música “Day after tomorrow”, do glorioso Tom Waits. &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.google.com/url?sa=D&amp;amp;q=http://www.tomwaits.com/songs/song/260/Day_After_Tomorrow/" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, serif; line-height: 115%;"&gt;http://www.tomwaits.com/songs/song/260/Day_After_Tomorrow/&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, serif; line-height: 115%;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-family: Georgia, serif; line-height: 115%;"&gt;*** Frase extraída do Jornal da Globo de 8 de abril de 2011 &lt;br /&gt;**** poesia péssima que eu mesma escrevi de propósito &lt;br /&gt;*****Citação de Mario de Andrade&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-7786856297944069822?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/7786856297944069822/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/05/novelo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/7786856297944069822'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/7786856297944069822'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/05/novelo.html' title='Novelo'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-3878698855685993997</id><published>2011-04-27T21:22:00.000-03:00</published><updated>2011-04-27T21:22:27.783-03:00</updated><title type='text'>De velô ao Pelô, da Rua Rivolí ao Jardim Peri, dá-me um Cornetto!!</title><content type='html'>Blim-blom…blim-blom… blim-blom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, gente insistente! Espiei pela janela. Era uma mulher com as mãos cruzadas por cima do portão baixo, com um sorrisinho amarelo muito sem-graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pois não, minha senhora... ... ... O que??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falava baixo. Devia estar avisando que uma Kombi ia passar pela rua mais tarde, recolhendo donativos. Acenei que não tinha nada para dar. Ela continuou cochichando, toda encostada no muro da frente. Aiaiai, deve ser daquele povo que traz “O Acendedor” e ainda pergunta se a gente não tem religião. Pus a boca e o nariz para fora da janela e falei mais alto: a dona da casa não está; volte outra hora, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher, nada de desistir. Continuava ali. Agora achei que ela tinha um sotaque meio parecido com o da vizinha, Dona Gina... norte da Itália... E aquela risadinha não saía da sua cara. Achei meio cínica. Agradeci e fechei a cortina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blim-blom-blim-blom-blim-blom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cacete! E o meu cachorro não parava de latir! Abri a porta e fui até lá. Agora, mais de perto, percebi que a conhecia de algum lugar. Mas de onde?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você é parente da Dona Gina? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– &lt;em&gt;No. Io sono di Firenze. Mi chiamo Lisa, moglie di Francesco Del Giocondo.&lt;/em&gt; Sou&amp;nbsp;Lisa Del Giocondo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu sotaque ia melhorando a cada frase e o que tinha começado como um estilo renascentista ia se tornando mais contemporâneo. Até porque meu conhecimento de italiano acaba por aí e qualquer diálogo teria se tornado impraticável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Lisa, Lisa... Desculpe, nunca ouvi falar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Também me chamam de Gioconda. Ou Monalisa. Você foi até o Louvre e não veio me ver?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tá doida? Com aquele monte de japoneses e suas câmeras com flash? Vazei! Espiei da porta e fui embora. Não tenho culpa se fui ao museu justamente no único dia do mês em que o ingresso é gratuito. Além do mais, vai desculpar, mas sou muito mais a Vitória de Samotrácia. Ela sim, me emociona, imensa, com aquelas asas lindas, expressiva. Você – eles vivem tentando te explicar, discutem a abordagem semiológica e epistemológica, enfoques psicossociais... Papo furado. Tela pequena – mulher e paisagem, só!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Isso não é motivo pra você ficar paparicando aquela fofoqueira da Vitória. Aliás, – hehe – foi por isso que ela perdeu a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Nããão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Verdade. E a Venus de Milo? Maior 171. Vivia batendo carteira dos turistas que marcavam encontro ali perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas você tinha todo o cartaz. Era o ponto alto do Louvre. Por que saiu de lá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Cansei de ser modelo e manequim. O Duchamp me pintar de bigode e ainda sair dizendo que eu tinha fogo no rabo, tudo bem. Ser cantada pelo Nat King Cole me envaideceu – pergunta pra Vitória. (Ah, não pergunta, porque ela não consegue responder – como eu sou divertida!) Foram tantas homenagens bacanas – o filme do Rosselini, o autorretrato do Dalí... E as serigrafias doAndy Warhol? Até eu queria uma na minha &lt;em&gt;garçonière&lt;/em&gt;. Mas dei um basta quando escreveram – e filmaram! – o Código Da Vinci. Depois, só pra eu me convencer de que já tinha passado da conta, veio o Jorge Vercilo me cantando – em ritmo de bolero?! Ora, por favor! Mas eu fiz as malas, de fato, ao saber que a Britney Spears usa o codinome Monalisa quando faz aquelas coreografias de gafieira em rampa de pedrisco. Tô fora! Quero viver meu potencial em plenitude, desenvolver um estilo próprio, entende? E tem mais: depois que Leo me pintou, fomos dar um rolé. Fontainebleau, Versailles, a palhoça do Napoleão. Houve aquele tempo memorável das guerras com a Prússia,quando me levaram para cavernas, fortalezas, cafofos... ah, bons tempos! Aí, fui enquadrada, me jogaram no cadeião do Louvre e me deixaram ali, exposta. E mesmo naquela unidade de segurança máxima, até sequestrada eu fui. Na verdade, eu adorei, pois incriminaram tanta gente, me procuraram, houve investigação internacional, acusações, intrigas. Eles não conseguiam desistir, todos me procuravam. Depois, foram ficando desanimados, começaram a pensar que tinham me perdido para sempre, coitados – foi quando veio o desfecho de novela mexicana e me encontraram na Itália, numa casa geminada com aluguel vencido e cheirando a sabão de cinza. Humpf... Voltei pro xilindró da Rue de Rivoli. Aí, me jogaram ácido (Ora, que ideia). Depois dos anos de plásticas a que fui submetida, por conta desse atentado, veio a fase do delírio coletivo: me esconderam num cofre e acabaram me encaixotando por trás de um vidro que aguenta sucessivos acidentes nucleares de grandes proporções; mesmo que, no fim, não sobre mais ninguém além de baratas e formigas para me admirar – e de graça.&amp;nbsp; Mas vamos parar de falar de mim. E você, o que pensa a meu respeito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Piadista, você, não? Bem, já que você perguntou, eu estou com pouco trabalho; um empréstimo no banco, que vem sendo cobrado constantemente... Minha casa só tem cama, pinico e fogareiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E tem minha mãe, muito doente, vivendo de antiinflamatórios e aposentadoria doEstado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Meu time ganha os jogos até chegar às quartas de final. Faz décadas. E os estádios não vão ficar prontos antes da Copa do Mundo. Vai ser um vexame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Me doem as articulações... políticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Meu marido fugiu com a secretária eletrônica..., meu carro movido a creme de chantili virou queijo cottage..., fiz 13 pontos na megasena..., o PCdoB está com TPM... O FGTS está valendo menos que o ICMS, a CBS, o GPS e o INSS... Quem tudo keds nada tênis... &lt;em&gt;Peter Piper picked a peck of pickled peppers&lt;/em&gt;… Vou dar na sua cara, sirigaita, se fingindo de surda…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–...&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Acho que já falei muito de mim, concorda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Hum-hum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E você, como ficou com essa risadinha cínica? O que você sabe e não conta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Não é cinismo. Leo me pintou como uma mulher introspectiva e tímida, com um sorriso um pouco conservador, mas que denota muita sedução. Meu corpo representa o padrão de beleza da mulher daquela época. Eu resido no retrato mais famoso da história da arte – o quadro mais valioso do mundo. Poucas obras de arte são tão controversas, questionadas, valiosas, elogiadas, celebradas ou reproduzidas. Muitos historiadores da arte supõem que éramos amantes. Tem um pessoal em Heidelberg que afirma que eu tinha acabado de dar à luz e o retrato foi uma forma de comemoração. Tem até uma cientista que sugere que eu seria um autorretrato de Leonardo brincando de Ney Matogrosso! Me poupe! Depois veio o Freud e interpretou meu sorriso como uma atração erótica subjacente de Leo para com sua mãe. Aliás, já descreveram meu sorriso como inocente, convidativo, triste e lascivo. Xis! Eu tento ser humilde, mas me faltam argumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não parava de falar. Parecia que estava em silêncio desde 1500.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pois acredite se quiser, mas um algoritmo de computador desenvolvido na Holanda pela Universidade de Amsterdã, em colaboração com a Universidade de Illinois, descreveu este mesmo sorriso que você vê de graça aqui no meu rostinho como o de uma mulher 83% feliz, 9% angustiada, 6% atemorizada e 2% chateada. Juro! E tem mais. Escuta esta: “Embora utilizando uma fórmula aparentemente simples, a síntese expressiva que Leonardo conseguiu entre modelo e paisagem tornou este trabalho uma das mais populares e analisadas pinturas de todos os tempos. As curvas sensuais do cabelo e da roupa da mulher, criadas completamente através de &lt;em&gt;sfumato&lt;/em&gt;, encontram eco nos rios ondulantes da paisagem subjacente. A harmonia total conseguida no quadro, visível especialmente no sorriso, reflete a unidade entre Natureza e Humanidade que era parte importante da filosofia pessoal do pintor.”Eu estou no Wikipédia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquelas mãozinhas cruzadas em cima do meu muro e aquela risadinha... ai, aquela risadinha... Agora, observando melhor, eu podia jurar que ela tinha posto botox na testa e feito preenchimento nas bochechas, pois com esse rosário de asneiras, nada se mexia do nariz para cima. E ela cheirava a bolor, devia estar cheia de ácaros. Eu ia dar uma vassourada na bruxa, para ver se ela desencapetava. E a danada prosseguia, agora ofendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– E por acaso alguém analisa o seu sorriso? A Interpol procurou você quando se perdeu na saída da escola? Alguém criou imãs de geladeira com a sua cara estampada? O Maurício de Sousa desenhou uma Monica com essa sandália havaiana que você está usando? Com essa camiseta de candidato a vereador em 2002? Com resto de mingau no canto da boca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz dela ia ter que sumir alguma hora. Isso não podia continuar indefinidamente. Eu já estava pedindo ajuda a São Pancrácio, que só podia ser o santo protetor das pregas vocais. Minha paciência tinha virado farofa. Não suportei mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– O que eles se esqueceram foi de estudar a sua cachola, velha gagá. Eu vou ter pesadelos à noite, encosto de pomba-gira psicótica! Retrato de Dorian Gray no Halloween! AAAAAAHHH! Nem chamar a polícia, eu posso. Quem vai acreditar que a Monalisa tocou a campainha só pra me ensandecer? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Gesù Bambino, não precisa ser rude. Se não se sentia a minha altura para um diálogo de coração para coração, era só ter falado. Eu sou uma pessoa aberta, uma cidadã do mundo, uma mulher do meu tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, ela chorava baixinho e um pouco de tinta sépia escorria por suas bochechas gordas. Ela enxugava com uma ponta do véu, criando uma estranha mancha abaixo dos olhos que a deixava parecida com um guaxinim. Torcia as mãozinhas, nervosa, e espichava as mangas do vestido, exibindo um tique desconhecido aos estudiosos. Seu sorriso tinha se convertido num bico que, aos poucos, craquelava a tinta em torno dos lábios. Eu estava dividida entre a compaixão e o medo dos &lt;em&gt;gendarmes&lt;/em&gt; e advogados corporativos que logo iam chegar, esmurrando a porta e me cobrando por danos ao patrimônio da humanidade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Pô, desculpa. Não quis ser agressiva. É esta vida louca que a gente leva no Terceiro Mundo. Tsc. Talvez você tenha vindo num dia em que eu estou meio irritadiça... Sorte sua, que viveu numa época muito mais romântica, com menos preocupações... Conta mais, e a coleção de arte egípcia, como vai? E aquelas esculturas francesas, todas nuas – aquilo deve ser uma grande farra, hein? Verdade que é no Louvre que vão filmar Uma Noite no Museu 4?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-hGta8JMZbe8/Tbixcug9JaI/AAAAAAAAEjM/bINDFIKdXs0/s1600/Sem+t%25C3%25ADtulo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="145" src="http://2.bp.blogspot.com/-hGta8JMZbe8/Tbixcug9JaI/AAAAAAAAEjM/bINDFIKdXs0/s320/Sem+t%25C3%25ADtulo.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-3878698855685993997?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/3878698855685993997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/04/de-velo-ao-pelo-da-rua-rivoli-ao-jardim.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/3878698855685993997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/3878698855685993997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/04/de-velo-ao-pelo-da-rua-rivoli-ao-jardim.html' title='De velô ao Pelô, da Rua Rivolí ao Jardim Peri, dá-me um Cornetto!!'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-hGta8JMZbe8/Tbixcug9JaI/AAAAAAAAEjM/bINDFIKdXs0/s72-c/Sem+t%25C3%25ADtulo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-7392198427286454915</id><published>2011-04-27T20:57:00.000-03:00</published><updated>2011-04-27T20:57:16.193-03:00</updated><title type='text'>Das sombras</title><content type='html'>Passava das dez horas e o telefone não tinha tocado. O ocorrido da véspera não dizia respeito a ninguém. Apagava mais um cigarro e o cheiro de fósforo já tomava a cozinha. Tamborilava na mesa. Não, tinha parado. Olhava em volta e seus olhos invariavelmente começavam no topo da cristaleira, passavam pela janela e acabavam no chão atrás da porta dos fundos. As buzinas e os aviões passavam mudos. A sombra do prédio vizinho já tinha se mudado da mesa para o cabideiro. Suas costas um pouco mais arqueadas. Mirava o vidro de calmantes e pensava em algo, mas ainda não sabia o que.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-7392198427286454915?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/7392198427286454915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/04/das-sombras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/7392198427286454915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/7392198427286454915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/04/das-sombras.html' title='Das sombras'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-2347574257791543224</id><published>2011-04-21T18:04:00.002-03:00</published><updated>2011-04-23T22:35:54.816-03:00</updated><title type='text'>BFF*</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;GENTE CLICHÊ&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;A cena começa com um homossexual assumido, sentado em um &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;boudoir&lt;/i&gt; com mais dourados do que recomendam as revistas de decoração. E plumas, vermelhos, almofadas, franjas. O ambiente recebe luz indireta e vêem-se vidros de cristal sobre um aparador e uma penteadeira em estilo francês usada como bar, emoldurada por um grande espelho &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;bisoté&lt;/i&gt;. Na parede do fundo, uma montagem com nove fotos do rosto dele em cores cítricas à Andy Warhol. Mireille Mathieu canta baixinho; depois dela, virão Edith Piaf, Jacques Brel e Nina Simone. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Aconchegado numa &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;chaise&lt;/i&gt;, veste roupas de tecidos leves enquanto aguarda a chegada de um amigo para o chá. Tem anéis de ouro nos dedos e calça chinelas de seda. Na mesinha ao seu lado, uma foto emoldurada da mãe. Sobre a mesa de centro, uma bandeja onde se vêem duas xícaras, um bule coberto por um abafador indiano, saquinhos de adoçante, um potinho de porcelana com cubinhos de açúcar e um prato com delicados &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;petit-fours&lt;/i&gt;. Ah, e um livro de Robert Mapplethorpe. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O amigo entra esbaforido, abrindo a porta de forma dramática. Veste camiseta branca básica, jeans de marca e tênis casuais com detalhes &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;fashion&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Bi, tô vindo do petshop. Olha só! Fiz as unhas, hidratação no cabelo e uma tinturinha, que ninguém é de ferro, não é moamorr?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Esse tom ficou lindo. E vai combinar super com sua roupa, quando você for ferver à noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;E você não vai? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O anfitrião serve o chá para ambos, enquanto o visitante brinca, divertido.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Como dizia minha amiga Christine Yufon, para segurar a xícara, são dois em pinça e três em leque.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O anfitrião olha para os lados, prestes a revelar um segredo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Encontrei aquele bofescândalo hoje na Benedito Calixto. Acho que vamos nos ver mais tarde.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Mas você não vai partir pra cima dele, né? Bicha burra nasce morta. Acho uó.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ai, me erra, Laleska.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Incomodado com o rumo da conversa, o anfitrião muda de assunto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Olha o livro que eu comprei. Mapplethorpe, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;superhype&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Bem, você sabe que eu adoro ler, mas não livros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Sorri, faceiro. O outro gargalha alto, apoiando os dedos de leve no pescoço, como se sobre um colar de pérolas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;E o que você lê, bagaceira? Cartaz de “Procurado vivo ou morto”? Preço &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;off&lt;/i&gt; em liquidação na Louis Vuitton?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ai, desaqüenda, mona. Vamos ver o tal livro &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;superhype&lt;/i&gt;... (um longo silêncio)... Aaaai, meus sais! Me deixa olhar com calma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;A cada página virada lentamente, um suspiro e um comentário.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Mmmmm, não, muito fraquinho. Alôca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Babado confusão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ah, este aqui, eu faria. A Bete faria!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ai, tô passado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;A campainha soa, tirando os dois amigos do enlevo. Um poodle tosado segue aflito em direção à porta da frente. O dono da casa ralha com ele:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Calma, Giorgio. Papai vai atender.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Entra uma mulher, meia-idade, divorciada, deprimida e que se define como sanguínea. É a vizinha, que ouviu vozes e tocou em busca de companhia. Veste bermudas e uma camiseta onde parece ter respingado água sanitária. Arrasta atrás de si um leve aroma de cebola. Abraça o anfitrião longamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ai, meu amigo. Que bom te ver. Eu te amo tanto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Segura o rosto dele com as mãos em taça enquanto sorri triste. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Você tá tão lindo...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Seu rosto, emoldurado por cabelos desgrenhados, as raízes embranquecendo e sem maquiagem, fica ainda mais acabrunhado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Abraça-o mais uma vez. Afetuoso, ele a convida a se sentar e vai para a cozinha em busca de mais uma xícara, seguido pelo alegre cãozinho engravatado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ela estende uma mão débil para o visitante e se apresenta. Permanece assim por tempo demais e, ainda sustentando a mão dele, diz que sentiu uma vibração.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Você é uma pessoa linda. Posso sentir isso só te tocando. Sua alma é luminosa e seu caráter virtuoso... Er, eu sou sensitiva, entende? Desculpe se eu fui muito afoita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O outro logo se interessa e, quando o anfitrião retorna, ela já se aprofundou em detalhes das dificuldades que ele experimentou na vida, de sua determinação para ser feliz e do futuro especial que o aguarda. Ele está encantado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ai, bi. Somos BFF. Amigas para sempre!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Oh, posso te dar um abraço? É esse impulso que me veio quando toquei sua mão. Às vezes, sinto necessidade de abraçar as pessoas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Eles se enlaçam enquanto ela prossegue.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Acho que eu te amo muito. Eu sinto isso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;O telefone dela toca. É o ex. Algo sobre um depósito que ela pediu a ele e ainda não foi feito. Ela fica em longos silêncios e responde por monossílabos. Lá pelas tantas,&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Mas querido... eu sei... tem razão... É, É, É QUE EU AINDA TE AMO. VOCÊ ENTENDE ISSO? Sabe o que eu estou passando? Me ouve! Eu-ain-da-te-amo. Entendeu agora?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Desliga o telefone e desaba no sofá. Alguém lhe oferece um lenço de cambraia. O anfitrião vai até o toucador feito em bar e traz um copo baixo com &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;whiskey &lt;/i&gt;e algumas pedras de um gelo que milagrosamente estava ali em cima há horas, sem derreter. Abatida, ela recusa e culpa os remédios.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Ai, que &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;bas-fond&lt;/i&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Babado fortíssimo. (mais um longo silêncio) Mas você precisa reagir, mulher! Você é uma leoa. Tem a coragem dentro de si. Vai dar a volta por cima. É cabeça erguida. Bofe nenhum vai te derrubar. E vamos dar um jeito nesse seu cabelo, que está uó. Você não quer ser vista assim, não é, moamorrr? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;É isso mesmo. Tá parecendo uma bolacha** caminhoneira, mas com uns retoques, vai ficar uma luxa. Se joga! Ai, e troca essa música, naja. Vamos ouvir algo mais &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;up&lt;/i&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Que tal Gloria Gaynor? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Jovial, o visitante bate palmas! E passa a agitar os braços e cantar junto com o disco, tentando mandar uma mensagem para a mulher.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l1 level1 lfo1; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;I am what I am / and what I am needs no excuses&lt;/i&gt;…&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;span style="mso-ansi-language: EN-US;"&gt;&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Ela enxuga as lágrimas, faz biquinho e diz:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraph" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt 18pt; mso-add-space: auto; mso-list: l0 level1 lfo2; text-indent: -18pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Symbol; mso-bidi-font-family: Symbol; mso-fareast-font-family: Symbol;"&gt;&lt;span style="mso-list: Ignore;"&gt;-&lt;span style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font: 7pt/normal &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;Eu amo vocês!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin: 6pt 0cm 0pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;*Best friends forever&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span lang="EN-US" style="mso-ansi-language: EN-US;"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri;"&gt;**lésbica&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-2347574257791543224?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/2347574257791543224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/04/bff.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/2347574257791543224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/2347574257791543224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/04/bff.html' title='BFF*'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-6972820218369921620</id><published>2011-03-20T02:57:00.001-03:00</published><updated>2011-05-09T15:32:20.043-03:00</updated><title type='text'>Pathos</title><content type='html'>Os passos dela arrastam meus olhos. Daqui, posso sentir sua jugular pulsando sob meus polegares. Sem artifícios, minhas mãos apenas. Seu dorso vai se contorcer, os olhos saindo das órbitas, as unhas na minha carne. Tudo inútil. Os braços vão se debater ao ritmo da veia. Punhos cerrados esmurrando minhas costas, mais fraco. O grito, um mugido rouco. A traqueia rompida. Pronto, estará livre, minha pombinha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-6972820218369921620?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/6972820218369921620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/03/patia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/6972820218369921620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/6972820218369921620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/03/patia.html' title='Pathos'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-6007741580057468144</id><published>2011-03-17T16:55:00.000-03:00</published><updated>2011-03-17T16:55:09.393-03:00</updated><title type='text'>De Morte</title><content type='html'>Pronto. Era a morte que tocava meu ombro bem de levinho pra não assustar. Eu achei que era naquela hora que começava o flashback que se vê em filme. A primeira coisa que me ocorreu foi um vinil com “Chiribiribi quá quá” tocando alto numa vitrola em 45 rotações. Não era bem o que tinha em mente, mas vá lá. Acho que a gente nunca planeja esse momento com precisão. Agora vai assim mesmo. A verduga da desvida já tinha apoiado a foice numa cerca, pois notou que ia demorar. E o Ary Barroso continuava sem vacilar: “Chiribiribi quá quá, Chiribiribi quá quá...”. Aquilo parecia não ter fim. Puxei pela memória e vi que nem ao menos conhecia a canção. Talvez fosse uma mensagem! Essas coisas acontecem, provavelmente antes do túnel por onde a gente tem que seguir até ver a luz. Comecei a prestar atenção na letra: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pra que juiz marcar o jogo entre nós dois &lt;br /&gt;se vale ‘foul’, vale ‘offside’ e bofetão; &lt;br /&gt;É melhor o juiz lamber sabão; &lt;br /&gt;Oh! O juiz, o juiz é um ladrão.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não. Devia estar no canal errado. Esse recado não era pra mim. Mesmo tendo nascido na terra do futebol, entendia xongas do valente esporte bretão! Ou será que a mensagem era que eu devia ter aprendido a jogar futebol? Tarde demais. Também podia ser outra coisa: quando chegasse no fim do túnel, perguntar pro Ary se nunca tinha ouvido falar em rima rica. Por via das dúvidas, memorizei esse recado. Não custava nada, já que eu estava indo para lá mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mente vagava; pareceu que eu ouvia um silêncio de anjos. Não, não merecia. Era a música que começava a sumir. Pensei: Existe um Deus! Mas por falar em Deus, em vez do tal flashback, comecei a lembrar de uma piada em que o Altíssimo resolveu descer à Terra para cobrar pelo uso indevido do seu nome. Afinal de contas, Santo Antonio, São Pedro e os outros tops estavam riquíssimos só pela cessão de direito de uso de seus nomes para mercearias, igrejas, times de futebol, bairros inteiros! E Ele tinha avisado em Mandamento e tudo mais que o Seu nome não era pra brincadeira. Quando já estava com as malas prontas, São Francisco vaticinou que era melhor não, pois o que mais se ouvia por aqui era “Deus lhe pague” e tudo que o Divino ia encontrar eram dívidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pior é que eu não conseguia rir. Será que não tinha entendido a piada? Pensei em contar de novo pra ver se o ritmo melhorava, caprichar na interpretação... Debruçada num mourão da cerca, a mórbida visitante, seca feito um varapau, já estava cochilando, com dor nos quartos e um calor tremendo daquela roupa preta comprida que era obrigada a vestir. Agora, eu pensava que devia ficar triste por não poder mais gozar a vida. Aí, lembrei que não tinha sido tão boa assim... Mas também não via motivos pra ficar contente por acompanhar a Danada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo foi passando e eu sentindo uma fominha. Uma pizza talvez! Saideira. Perguntei se a morte queria rachar uma pizza de calabresa e uma coca litro. Ah, e se podia financiar o lanche e me emprestar algum, pois tinha vindo despreparado. Nem uma troca de roupa, uma cueca limpa, uma escova de dente! Ela, provavelmente por problemas de fígado pelo estresse da profissão, não demonstrava o menor vestígio de senso de humor. Me lançou um olhar venenoso enquanto continuava com aquela cara de bunda sem lavar. Certamente faltava-lhe uma válvula de escape – um esporte de várzea, quem sabe? Ela só grunhia. Mas será o Benedito? Ao pronunciar esse nome, lembrei que tinha ficado com o casaco do Benê. Precisava ir lá devolver. O negão é friorento e vai me matar! Saí correndo e a morte atrás de mim. De longe, o Benê me viu, ficou branco, se benzeu e deitou o cabelo – fugiu levantando poeira. E eu atrás. E aquele ícone do fim agarrava o saiote de sua veste negra e vinha acelerada me perseguindo com suas canelas descarnadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma luz forte surgiu a minha frente. Pá! Até que enfim! Era o dono da pensão que abriu a porta, coçou o saco e murmurou “seis e meia”. Deixa eu levantar e devolver a japona do Benê antes que...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-6007741580057468144?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/6007741580057468144/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/03/de-morte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/6007741580057468144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/6007741580057468144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/03/de-morte.html' title='De Morte'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-5748514578211956578</id><published>2011-03-02T01:11:00.000-03:00</published><updated>2011-03-02T01:11:49.094-03:00</updated><title type='text'>Malandro é o Curupira, que faz Gol de Calcanhar</title><content type='html'>O leão e a leoa viviam às turras. Brigavam por causa da caça, da limpeza do covil, do banho dos filhotes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia, não tinha sido diferente e o leão saiu batendo a porta da caverna. Andava pela mata dando patadas em tudo que encontrava, urrando para todos ouvirem. Ela lhe dava nos nervos, mandava fazer isso, proibia de fazer aquilo. E ele posando de rei. Roar! Correu muito até se cansar. Deitou-se no galho de uma jaqueira e ficou ali parado, até que desaparecesse a vontade de extrair os pelos dela com uma pinça. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que um ratinho desavisado passou por cima do galho, carregando o butim de sua campanha num acampamento próximo. O grande felino segurou-o pelos quartos traseiros até quase esmagá-lo, embora não quisesse promover nada rápido demais, nem definitivo. Centrou todo seu ódio no pequeno roedor, gritando: “Criatura insignificante, ralé dos seres vivos, sarjeta da mata. Você é nada, só não o destruo com um dedo mínimo porque você é a escória e eu tenho nojo de tocar suas entranhas e me tornar qualquer coisa próxima de você.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa hora, o rabinho que o pequeno larápio tinha mergulhado no pote de maionese foi de grande utilidade. Espremeu-se por entre os dedos poderosos da fera imensa e correu para a ponta de um galho frágil, não muito distante. Satisfeito com sua artimanha, pôs-se a galhofar, imitando a voz do leão em sua fala miúda, dizendo: “Eu é que sou o rei da floresta. Você só tem pose, juba e”, esfregando o rabinho, completou, “patas fortes. Mas é burro feito um asno”. Desceu da árvore, correndo desembestado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás dele vinha o leão irritado e com o orgulho ferido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para provar sua teoria da estupidez do leão e, simultaneamente, demonstrar todo o conhecimento adquirido nos inúmeros livros que roera, o ratinho sentou-se sobre uma pequena folha no meio do lago e gritava teoremas pela metade, verbos no futuro do pretérito composto, fórmulas insolúveis, trechos da tabela periódica, nomes de minerais, capitais de países da Europa Oriental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leão rugia: “Quando eu te pegar, vou fazer picadinho, sua ameba tagarela!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta feita, o espetaculoso sentara-se no alto de outra árvore e ria com as canjicas de fora. Às suas costas, ouviu um rosnado baixo. Era a leoa, que o comeu de um bocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contradizendo a linha da ficção adotada por autores do século XXI, que afirma que todos os textos contemporâneos que abordam romances terminam em separação ou em um momento rotineiro que permite várias leituras, o casal de leões viveu feliz para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-5748514578211956578?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/5748514578211956578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/03/malandro-e-o-curupira-que-faz-gol-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/5748514578211956578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/5748514578211956578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/03/malandro-e-o-curupira-que-faz-gol-de.html' title='Malandro é o Curupira, que faz Gol de Calcanhar'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-1086761097556771956</id><published>2011-02-26T01:11:00.000-03:00</published><updated>2011-02-26T01:11:07.911-03:00</updated><title type='text'>Na Moita</title><content type='html'>– Ai, que susto! Não vi que tinha alguém aí na penumbra. Vamos ficar &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; bem quietos para que a onça não perceba nossa presença... Tem hora &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; que é melhor&amp;nbsp;se fingir de morto, concorda?&lt;br /&gt;– Grrr...&lt;br /&gt;– É mesmo. Dá muita raiva. Pelo jeito, essa onça já vem assustando – &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; e comendo – os animais daqui há bastante tempo. A gente se sente &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; castrado diante de tanta violência e impunidade.&lt;br /&gt;– Arf arf.&lt;br /&gt;– Entendo. Também já me cansei desta vida de fugir de predador. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas sem ter competências de agressividade e reação, tudo que nos &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; resta são a fuga e o esconderijo. Passamos e viver entocados, &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; imundos,&amp;nbsp;na escuridão, com o coração agitado e as patas trêmulas. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A propósito, este aqui não é o meu habitat. Você sabia que eu nasci &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; e me criei no circo? É por isso que ainda tenho essa tonalidade &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; levemente rosé nos pelos... Gostou?&lt;br /&gt;– Grrr...&lt;br /&gt;– Ora, se não gostou, as regras de etiqueta ditam que basta se calar, &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; sorrir e fazer um aceno com a cabeça. Não precisa tanta &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; agressividade,&amp;nbsp;tanta rudez animalesca!&lt;br /&gt;– Uauau.&lt;br /&gt;– Melhorou. Viu como é fácil agradar uma dama? &lt;br /&gt;(Coça, coça, coça)&lt;br /&gt;– Quer que eu te conte como vim parar aqui? Pois bem, a gente &lt;br /&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; estava em&amp;nbsp;turnê pelo interior do país – fazendo muito sucesso, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; eu devo confessar. Um dia, nosso caminhão seguia em &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; velocidade ribanceira abaixo, passou por um buraco imenso e &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; eu caí da boleia. Ninguém ouviu meus gritos e... aqui estou. Veja &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; o&amp;nbsp;meu pelo, está perdendo a cor e já está quase branco, tsc.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;(Coça, coça, coça)&lt;/div&gt;&lt;div&gt;– Ai, pelas barbas de São Francisco! Eu, instruída, de tradicional &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; linhagem&amp;nbsp;de poodles, venho me ocultar numa caverna fétida e, &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; ainda por cima, com um simulacro de cachorro-do-mato sem o &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; menor verniz. Você não para de coçar a orelha, cheirar o pé e &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; lamber as partes pudendas... Dá para melhorar os modos? Só &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; um pouquinho? Que falta de touché... Além do que, o respeito &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; é bom e poupa os dentes. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;– ... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;– Você não é de muito falar também. Escuta, lá na jungle, você não &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; aprendeu nada a não ser rosnar, latir, fungar e vociferar?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;– Auuuuuuuuu...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;– E uivar pra lua?! Shhhh. Aí, você já passou dos limites! Cala a boca &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; antes que ela te escute. Sit! Good boy. Ai, como dizia Proust, “onde &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; fui amarrar meu jegue.”&lt;/div&gt;&lt;div&gt;– ...&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;– Melhor assim. Fica aí de papo pro ar, refrescando as miudezas e em &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; silêncio, que é mais seguro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;– ...&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;– Hummm. Assim que o vi, notei que você tinha o cérebro de um &lt;/div&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; protozoário, mas agora, pelo menos, está parecendo... sei lá... &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; gostosão.&amp;nbsp;Tem bicho que tem barriga, mas isso aí é um &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; abdômen! Qual academia&amp;nbsp;você frequenta? Pilates, acertei?&lt;br /&gt;– Barf barf.&lt;br /&gt;– Não conheço esse método. Alemão? ... Bem, está ficando frio aqui &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; dentro. Chega pra lá que eu vou me sentar bem pertinho de você... &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Assim... Pronto, viu? Agora, um aquece o outro e a gente vai se...&lt;br /&gt;– Nhoc... Blurp... E viva a cadeia alimentar. Vamos ver quem vem lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-1086761097556771956?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/1086761097556771956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/02/na-moita.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/1086761097556771956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/1086761097556771956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/02/na-moita.html' title='Na Moita'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-8443994164758748722</id><published>2011-02-25T22:45:00.002-03:00</published><updated>2011-02-25T23:02:01.419-03:00</updated><title type='text'>Breve e Asseada</title><content type='html'>Sentiu um repentino cheiro de álcoolgel perfumado. Às suas costas, a pergunta rouca. “Você sabe onde tem amaciante?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobressalto. Sua voz saiu mais aguda do que de costume. “Eu te ajudo a encontrar. O que mais tem na sua lista?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu. “Veja Perfume de Flores. Isso existe?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Só te falta experiência. Como muitas coisas na vida, se resolve com a prática.” Com um olhar enviesado e passos com ginga, ela o guiou até o fundo do corredor, na prateleira de baixo. Fez um gesto mudo e eloquente para o local do desinfetante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se ajoelhou em frente aos potes e de lá, olhou para ela enquanto sussurrava. “Também quero amoníaco.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A gente encontra junto.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-8443994164758748722?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/8443994164758748722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/02/breve-e-asseada.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/8443994164758748722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/8443994164758748722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/02/breve-e-asseada.html' title='Breve e Asseada'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-2432884803882916581</id><published>2011-02-24T03:33:00.000-03:00</published><updated>2011-02-24T03:33:59.462-03:00</updated><title type='text'>Abracabradapeste</title><content type='html'>Eu já não trabalhava mais no circo. Agora tinha conseguido uma vaga como garçonete na lanchonete Friday’s. Meu uniforme incorporava um frango de borracha e um chapéu de cozinheiro nas cores da bandeira italiana. Nossa rotina costumava ser bocejante, cheia de crianças gritando e correndo entre as mesas, de sanduíches pisoteados e refrigerantes arremessados contra a cabeça dos amiguinhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu adorava quando havia grupos festejando aniversários. Toda a equipe se reunia em volta e a gente cantava Parabéns bem alto e fazia apitaço. Hoje, havia uma! Muita gente. De repente, de longe, vi Astolf, ou pelo menos, esse era o nome de mágico que ele adotava. Tínhamos trabalhado juntos no circo e, entre todas as suas estripulias, tinha feito desaparecer minha poupança e transformado meu coração num pombo. Mantive a programação e a classe. Minha reação consistiu em ensopar aquela camisa ridícula com suco de uva Tang e, num passe de mágica, cobrar 70% de serviço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-2432884803882916581?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/2432884803882916581/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/02/abracabradapeste.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/2432884803882916581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/2432884803882916581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/02/abracabradapeste.html' title='Abracabradapeste'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-2401302532760373808</id><published>2011-01-30T20:10:00.003-02:00</published><updated>2011-01-30T20:16:55.712-02:00</updated><title type='text'>Isso deve querer dizer alguma coisa...</title><content type='html'>Não é conto nem lenda. É a mais pura verdade, acredite quem quiser. Isto posto, segue a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, fui a um casamento. Na hora de jogar o buquê, a noiva, muito minha amiga, olhou para trás, tentando se assegurar de onde eu estava. Virou-se de costas e jogou. Lá vinha ele em minha direção. Ergui os braços e quando tinha as flores quase na ponta dos dedos, passa uma freira feito um corisco. Ela agarrou o buquê e correu como&amp;nbsp;jogador de rúgbi. A noiva arregaçou o vestido até os joelhos e lá se foi aos pinotes atrás da freira. Mas a essa altura, não valia mais – o buquê estava jogado e, o pior, pego. E a sentença proferida: eu ia ter que esperar uma freira se casar primeiro... Veja bem, não falo isso com ressentimento ou dor - não trocaria minha vida por outra. Essa história é surrealmente divertida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais entrei nesse jogo tradicional. A cada casamento, me chamavam para participar e eu até me juntava ao grupo, mas nem me dava ao trabalho de erguer os braços. E ainda dizia que o único sorteio que tinha ganhado era o do meu primeiro carro no consórcio – pagando o resto das prestações, é claro. E tinha a história do buquê e da freira. Isso faz mais de vinte anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem fui a uma festa. Na hora do buquê, fui fazer volume no grupo da mulherada outra vez, só para não arranjar inimizades, até porque amo muito aquele casal. Fiquei bem no fundo, evitando a cotovelada de alguma companheira mais afoita. Lá da ponta, ela se virou e jogou. Ele vinha bem alto&amp;nbsp;e...&amp;nbsp;caiu aos meus pés. Não tive alternativa, finalmente agarrei o buquê. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ocorre que a festa era de bodas de prata . E as flores? Bem, rosas e ... suspiros. Poético, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_aJwMxfIpf_Q/TUXT6zjLe6I/AAAAAAAAEOk/S_u5rdZtqxk/s1600/Buqu%25C3%25AA.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" s5="true" src="http://3.bp.blogspot.com/_aJwMxfIpf_Q/TUXT6zjLe6I/AAAAAAAAEOk/S_u5rdZtqxk/s200/Buqu%25C3%25AA.jpg" width="165" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-2401302532760373808?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/2401302532760373808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/01/isso-deve-querer-dizer-alguma-coisa.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/2401302532760373808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/2401302532760373808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2011/01/isso-deve-querer-dizer-alguma-coisa.html' title='Isso deve querer dizer alguma coisa...'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_aJwMxfIpf_Q/TUXT6zjLe6I/AAAAAAAAEOk/S_u5rdZtqxk/s72-c/Buqu%25C3%25AA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-3839500826017638112</id><published>2010-10-27T17:59:00.000-02:00</published><updated>2010-10-27T17:59:11.801-02:00</updated><title type='text'>Segundo turno</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Segundo as runas na leitura da bruxa, &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Os juros esdrúxulos rumo ao cume e os números voluptuosos emolduram as urnas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;O matuto impune perdura qual abutre no púlpito &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;E o cardume de gatunos corruptos triunfa &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Juras na tribuna figuram qual recursos de conduta &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Abundam calúnias, pedregulhos, macumbas &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;O orgulho chafurda no perjúrio da bússola sem gume &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Nenhuma culpa, nenhum escrúpulo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Afundam a cultura e o rumo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Por costume, pulsam perguntas, dúvidas, repúdio, repulsa&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;O futuro madruga soturno sob nuvens plúmbeas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Mas segundo Antunes, o pulso ainda&amp;nbsp;pulsa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-3839500826017638112?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/3839500826017638112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/10/segundo-turno.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/3839500826017638112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/3839500826017638112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/10/segundo-turno.html' title='Segundo turno'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-6850284657029098488</id><published>2010-10-20T13:12:00.000-02:00</published><updated>2010-10-20T13:12:45.316-02:00</updated><title type='text'>Janela</title><content type='html'>Lá adiante, o olhar a partir do balão&lt;br /&gt;Cá dentro, a clausura de freira&lt;br /&gt;Fora, o pé que chuta a porta&lt;br /&gt;Aqui, os olhos paralisados na barata&lt;br /&gt;Ali, o focinho do rato pra fora do bueiro&lt;br /&gt;E aqui, a escuridão sem legendas&lt;br /&gt;Ao fundo, o passeio com Platão&lt;br /&gt;Aqui dentro, a estrada sem mapa&lt;br /&gt;Ao longe, a placa traseira do carro encolhendo&lt;br /&gt;Fechada, a mão na mão do amigo&lt;br /&gt;Na superfície, o herói sem escudo&lt;br /&gt;Por dentro, o vão entre o coração e a boca do estômago&lt;br /&gt;Ao longe, música que aquece a alma&lt;br /&gt;E aqui, a galinha com o pescoço destroncado&lt;br /&gt;Fora, os ingredientes que ainda não são bolo&lt;br /&gt;Na intimidade, um olhar de garantias &lt;br /&gt;É um torno que esmaga o coração&lt;br /&gt;E um bilhete de loteria no bolso da calça&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-6850284657029098488?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/6850284657029098488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/10/janela.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/6850284657029098488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/6850284657029098488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/10/janela.html' title='Janela'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-7701730838518667147</id><published>2010-10-08T00:42:00.001-03:00</published><updated>2010-10-14T07:21:58.265-03:00</updated><title type='text'>Aliterando P e B</title><content type='html'>Nós partimos aboiando&lt;br /&gt;Na bota, barro&lt;br /&gt;Na aba do chapéu, pó&lt;br /&gt;No campo plantado, poeira&lt;br /&gt;Sapoti, goiaba, cambucá, jenipapo, mangaba. Podre, parecendo pedra.&lt;br /&gt;Apeamos dos potros a repousar a boiada.&lt;br /&gt;Ali no acampamento, rabisco de bezerro&lt;br /&gt;Pretérito de boi&lt;br /&gt;Nas bezerras, úberes parecendo peroba&lt;br /&gt;Por perto, aboletados, urubus e répteis&lt;br /&gt;Expulsos o pardal e a pomba-rola.&lt;br /&gt;A tropa de burros porta sobras, pinga, tempero, carabina e chumbo. Só.&lt;br /&gt;Habitação não há.&lt;br /&gt;Sem sabão sem sabonete. Suor.&lt;br /&gt;Os capangas são só rebotalho.&lt;br /&gt;Sem apologia da súplica cabocla&lt;br /&gt;Também sem roubo e sem briga.&lt;br /&gt;Sem rapsódia, sem rapto das Sabinas&lt;br /&gt;E nós abestalhados, abilolados, aborrecidos.&lt;br /&gt;Tem vez que dá apetite de empunhar a espingarda&lt;br /&gt;Dar uns pipoco de bala de prata. Sem rubor, dar o bote, o rebote.&lt;br /&gt;Abordar, aborrecer, irromper.&lt;br /&gt;Romper com o perpétuo, com os vampiros, os patronos, os crápulas&lt;br /&gt;Os pernósticos pastores,&amp;nbsp;rabinos, padres&lt;br /&gt;Com a biografia pré-cambriana que nos embalou&lt;br /&gt;Replicar, correspondendo à reputação do pobre diabo&lt;br /&gt;Substituir obsolescência por compromisso&lt;br /&gt;Preponderar.&lt;br /&gt;Resplandecer a poder de plumbum. Por que não?&lt;br /&gt;Pois não, pois sim, pois é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-7701730838518667147?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/7701730838518667147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/10/aliterando-p-e-b.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/7701730838518667147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/7701730838518667147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/10/aliterando-p-e-b.html' title='Aliterando P e B'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-117040002852730230</id><published>2010-09-29T23:50:00.000-03:00</published><updated>2010-09-29T23:50:34.281-03:00</updated><title type='text'>Aliterando P</title><content type='html'>Um estampido no parque&lt;br /&gt;Policial apressado&lt;br /&gt;Pessoas apavoradas&lt;br /&gt;Perguntas imprecisas&lt;br /&gt;O suspeito aprisionado&lt;br /&gt;Emparedado pelo povo&lt;br /&gt;Implorava o perdão dos passantes&lt;br /&gt;Apresentava porquês sem porquê&lt;br /&gt;Sob a pilastra, uma panela, um pombo e uma espiriteira&lt;br /&gt;Patético.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-117040002852730230?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/117040002852730230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/09/aliterando-p.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/117040002852730230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/117040002852730230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/09/aliterando-p.html' title='Aliterando P'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-2544376094934291446</id><published>2010-09-05T02:40:00.001-03:00</published><updated>2010-10-08T00:45:14.261-03:00</updated><title type='text'>Uns empilham tijolos, outros constroem catedrais</title><content type='html'>O João pinta a nossa casa desde que eu era pequena. Mineiro, ri muito e fala pouco. Pinta as paredes, portas, muro. Era casado com uma empregada, a Luzia. Foi assim que a gente se conheceu. Todo ano ele está lá. E não só pinta, mas também desentope calha, pendura quadro, mata rato, joga veneno para cochonilha na jabuticabeira. Sempre, se a gente fosse viajar, deixava o João pintando a casa. E se a gente fosse pintar a casa, aproveitava pra viajar. Ele toma conta do cachorro, acende a luz da frente, água as plantas. E todo ano, visita o túmulo do meu pai no dia dos pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, sobre a mesa, havia o folheto de uma exposição do Volpi. Acho que foi no ano passado. João apontou para a ilustração e, meio desinteressado, disse: Volpi. Eu perguntei se ele o conhecia. Ele disse: Claro, mas você não deve conhecer, pois ele já morreu. Achei engraçado e falei do grande pintor, de seu trabalho importante, seu reconhecimento internacional. João riu desdentado e falou: Eu trabalhava com ele. Incrédula. A gente pintava murais. Fizemos um bonito no Hospital São Luiz Gonzaga. Era estranho, pois ele é muito gozador, mas parecia falar sério. É claro que eu fui consultar o Dr. Google. E lá estava. Pintura de dois murais na ala da maternidade do hospital. 1949. Voltei. Explica isso aí direito! Ele fazia uns murais e eu ajudava. Ele disse que ia me ensinar o mais importante, que era misturar as tintas. Eu ia poder pintar meus próprios murais. Nessa época, eu fui chamado pra trabalhar numa empresa com carteira assinada, pra pintar paredes. A Luzia estava pra ter o Romildo. Fui embora. E tem mais uma coisa: o velho queria que eu torcesse para o Milan e você sabe que eu sou corintiano. Com isso não se brinca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-2544376094934291446?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/2544376094934291446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/09/historia-do-brasil-1.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/2544376094934291446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/2544376094934291446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/09/historia-do-brasil-1.html' title='Uns empilham tijolos, outros constroem catedrais'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-137719381478214023</id><published>2010-09-03T11:01:00.000-03:00</published><updated>2010-09-03T11:01:36.724-03:00</updated><title type='text'>Água (ou Num Laivo de Benquerença)</title><content type='html'>Ora vem como goteira&lt;br /&gt;Às vezes, qual tempestade&lt;br /&gt;Tem dias em que é dor pouca&lt;br /&gt;Mas pode ser rasgo na alma &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gota a gota, enche o peito&lt;br /&gt;Castiga como enxurrada &lt;br /&gt;Aí, dos olhos escoa &lt;br /&gt;É enchente, é chuvarada &lt;br /&gt;Vai, arrasta, esfarrapa&lt;br /&gt;Não escolhe afeto nem mágoa&lt;br /&gt;Leva tudo pela encosta&lt;br /&gt;Só deixa terra arrasada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com pouca desfaçatez&lt;br /&gt;Você vem ver o que resta&lt;br /&gt;Erodido, seco, mirrado&lt;br /&gt;Seu riso árido qual vala &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu peço a você que chova &lt;br /&gt;Que garoe, que chuvisque&lt;br /&gt;Quem sabe um leve borrifo?&lt;br /&gt;Imploro que acabe o estio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-137719381478214023?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/137719381478214023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/09/agua-ou-num-laivo-de-benquerenca.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/137719381478214023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/137719381478214023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/09/agua-ou-num-laivo-de-benquerenca.html' title='Água (ou Num Laivo de Benquerença)'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-403895111080538208</id><published>2010-06-25T20:33:00.001-03:00</published><updated>2010-06-25T20:36:45.060-03:00</updated><title type='text'>Engolesapos</title><content type='html'>Era protagonista. Foi a última a se unir ao grupo já de mãos dadas. Os olhos pintados de azul combinavam com o vestido de princesa. Os olhos não miravam o público. Em sua cabeça, além da coroa, uma frase martelava – Yes, he is a frog and I invited him to live here in the castle – justamente o ponto onde se deslindava o emaranhado da trama. Ao seu lado, o menino vestido de sapo sorria e acenava para a mãe. Claro, ele tinha se lembrado de todas as suas falas. Sim, ele é um sapo e eu o convidei para morar aqui no castelo – justamente quando mais precisava lembrar. Deu branco. A voz de sua tia ficava repetindo por cima da frase – relaxa, pois a gente faz bobagem desde que nasceu e vai continuar assim até ficar velhinha; a gente acerta tantas outras coisas. Não adiantava nada. Ela tinha o resto da vida para fazer bobagens e aquela era a pior de todas as horas. Não importava se havia legendas no fundo do palco, não importava se a coordenadora do curso ia dizer que tudo bem.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ensaio,&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;ensaio,&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;decoreba,&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; ensaio com figurino, convite à família, um livro para usar em cena, trouxe as meias? maquiagem cabelo prende bem a coroa estamosatrasadasnãoesqueceo sapatofiquemaínofundoquietinhosqueaplateiatálotada Yes he is a frog... merda. Merda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela segurou a mão do menino-batráquio sem muita convicção. Os olhos pregados ao chão. As costas custaram a ceder. Os ombros se curvando para a frente como folha em fim de incêndio. Os lábios delatores recusaram os dentes. A cabeça coroada enfim tombou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-403895111080538208?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/403895111080538208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/06/engolesapos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/403895111080538208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/403895111080538208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/06/engolesapos.html' title='Engolesapos'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-3220098783430006104</id><published>2010-06-25T19:43:00.000-03:00</published><updated>2010-06-25T19:43:36.822-03:00</updated><title type='text'>Lisérgico Drive-In</title><content type='html'>A noite já traçara nela uma maquiagem nicótica. Tagarelava como apresentadora de um telejornal ultrajado. Ele mirava sua boca desatento. Ela buscava ênfase nas omoplatas, os cabelos escoiceavam à procura das palavras, as mãos arranhavam o espaço, tateando por expressão. Molhava os lábios agitada. Tesos, os olhos desviavam dele e investigavam o entorno, como se as frases quisessem fugir. As costas vergavam e se contorciam. E ela falava. Ela. Ele não sabia do que se tratava. Olhava de baixo para cima, qual um dálmata onceiro. Parado. Ela. Numa pausa, quando a precisão se afastou do discurso, ele foi metendo seu bedelho lerdo naquela conversa tensa. Calou aquela boca. Ladrão impartível, partiu para cima dela decidido. Cravou a nuca, que ainda estava em silêncio. Ele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-3220098783430006104?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/3220098783430006104/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/06/lisergico-drive-in.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/3220098783430006104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/3220098783430006104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/06/lisergico-drive-in.html' title='Lisérgico Drive-In'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-5121316678971795532</id><published>2010-06-10T15:26:00.000-03:00</published><updated>2010-06-10T15:26:25.459-03:00</updated><title type='text'>Agramatismo* anfractuoso**</title><content type='html'>Ora, é porque a gente mora numa terra cheia de brasileiros que falam a língua portuguesa, calculam com algarismos arábicos, adotam o alfabeto romano e o sistema métrico decimal. É porque a nossa música mais popular descende de uma fusão entre a valsa vienense e o lundu africano. Também porque nossa culinária é – com o perdão do trocadilho – um caldeirão salpicado pelos seis continentes. E nosso dicionário é sempre mais grosso que os demais. Inesperado seria esse povo viver seco de criatividade. Isso nunca! Não um povo que abrange Stanislaw Ponte Preta, capaz de versos como &lt;em&gt;“...E foi proclamada a escravidão / Assim se conta essa história / Que é dos dois a maior glória / Dona Leopoldina virou trem / E D. Pedro é uma estação também / O, ô , ô, ô, ô, ô / O trem tá atrasado ou já passou”.&lt;/em&gt; Mas contenha a emoção, cara Noemi. Tem mais. Sempre tem mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Historicamente, os compositores brasileiros adoram fundir letra e música sem jamais economizar no verbo. Ary Barroso já nos brindou com &lt;em&gt;“meu mulato inzoneiro”.&lt;/em&gt; Talvez o tal mulato tivesse preguiça, estivesse zonzo ou uma mosca da malária rodeasse sua orelha. Mas que importa a minúcia na descrição do pobre diabo? Ary tentava exprimir seu amor por um povo e uma nação. De fato, nunca haveria palavra que bastasse. E a Aquarela se perpetuou, inzoneira e tudo. Não me venha com Jakobson e a teoria de que isso tem função explicativa. Isso é onomatopéia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, veio o Ataulfo Alves, dizendo à pobre mulata assanhada que a pretoria resolvia a questão. Altamente preconceituoso. Em tempos mais contemporâneos, o incauto compositor sempre teria a chance de corrigir o termo para “&lt;em&gt;afrodescendentía&lt;/em&gt;”, embora houvesse espaço para a defesa, parafraseando Drummond e afirmando que isso não seria rima, seria solução. Muitos certamente iam concordar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Ary Barroso voltava à carga em Camisa Amarela, afirmando que &lt;em&gt;“Depois o encontrei num café zurrapa do Largo da Lapa”&lt;/em&gt;. A gente fica com a sensação de que o lugar não devia ser luxuoso. Talvez um ambiente mais singelo e pouco frequentado por pessoas que tivessem família. Buscamos o resto da estrofe, desesperados por algum entendimento. E ele vem. &lt;em&gt;“Folião de raça bebendo o quinto copo de cachaça”.&lt;/em&gt; Não, de fato não era luxuoso. Mas a estrofe se arremessa na redundância de um breque: &lt;em&gt;“Isso não é chalaça!”.&lt;/em&gt; Ah, bom, agora tudo se esclareceu: a culpa é do Torero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem Arnaldo Antunes escapou. &lt;em&gt;“Peste bubônica/ Câncer, pneumonia / Raiva, rubéola / Tuberculose e anemia / Rancor, cisticircose/ Caxumba, difteria/ Encefalite, faringite/ Gripe e leucemia...”.&lt;/em&gt; Como que por milagre, o pulso ainda pulsa. Mas eu estou pegando uma... uma... hipocondria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o samba do crioulo doido regulamentado, desta vez sem trocadilhos rudes, Gil tinha carta branca para pegar a emblemática “Pelo Telefone” e compor versos como “&lt;em&gt;Um barco que veleje / Que veleje nesse infomar / Que aproveite a vazante da infomaré / Que leve um oriki do meu orixá/ Ao porto de um disquete de um micro em Taipé...”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que isso seja deliciosamente contraventor, tudo sempre podia piorar. Quem manda ter tantas palavras e tão poucos professores de oratória? Ou otorrinolaringologistas? Há casos em que a gente não entende o que o intérprete diz, fato que pode gerar neologismos ou uma confusão dos diabos. Como quando um amigo insistiu que o mesmo Gilberto Gil compusera &lt;em&gt;“Sapo butimilho é gente, o sol nascente é tão belo/ Sítio do Picapau Amarelo”.&lt;/em&gt; Ou eu mesma, crente que, em “Como nossos pais”, Elis Regina cantava &lt;em&gt;“mas é você que é malpassado e que não vê que o novo sempre vem”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tudo isso, como não me apaixonar pelo Chico que, sócio-cotista da língua pátria, ainda faz um mexidão com o francês, &lt;em&gt;“Mata-me de rir, Fala-me de amor / Songes et mensonges Sei de longe e sei de cor / Geme de prazer e de pavor / Já é madrugada / Acorda, acorda, acorda, acord'accord”.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;Acorda, amor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;* s. m. 1. Vício de pronúncia que consiste na omissão de fonemas. 2. Impossibilidade mórbida de expressar as idéias com sentido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;** adj. Cheio de saliências, depressões ou sinuosidades irregulares&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-5121316678971795532?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/5121316678971795532/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/06/agramatismo-anfractuoso.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/5121316678971795532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/5121316678971795532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/06/agramatismo-anfractuoso.html' title='Agramatismo* anfractuoso**'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-7590151159708752852</id><published>2010-06-07T06:04:00.000-03:00</published><updated>2010-06-07T06:04:28.827-03:00</updated><title type='text'>De outro planeta</title><content type='html'>Do nada, um marciano apareceu aqui em casa dizendo que queria ser meu amigo. Perguntou quem era o nosso líder. Eu logo disse que é a minha mãe, mas ela não está. Que está no trabalho, só volta à noite e me mandou nunca contar isso a ninguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, ele quis investigar tudo. É isso que os marcianos fazem depois que dizem que querem ser nossos amigos e descobrem quem é o nosso líder. Para que serve isso? E aquilo ali, o que é? É claro que ele conhecia tudo que é eletrônico; nem precisei explicar – celular, WII, forno de microondas, IPod, Kindle. Ele é extraterrestre e na terra dele tem tudo isso e ainda tem teletransporte, lição de casa que aparece pronta pelo comando das ondas mentais da gente, banho automático enquanto a gente brinca e pílulas de salada verde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A&amp;nbsp;primeira coisa que chamou sua atenção foi o capacho. Eu tentei explicar que servia para limpar os pés quando a gente chega da rua, mas ele não sabia nem o que era rua, muito menos o que era pé. Aí, cismou com as taças de cristal na prateleira. Eu falei pra ele não mexer naquilo que o nosso líder matava ele. Foi fuçar numa fotografia da minha irmã e as amigas dela na praia. Perguntou se elas estavam presas lá dentro e se eu queria que ele soltasse todo mundo com um raio Feisertm. Eu falei que era melhor não, pois ia escorrer água salgada em todo o carpete e nosso líder podia se tornar violento. A essa altura, meu cachorro já estava cheirando a canela extraterrestre dele. Eu me adiantei e disse que aquilo era um cão movido a baterias de biscrok e que estava na hora de levá-lo pra fazer xixi na rua. Para não deixar um alienígena sozinho em casa, que eu não sou bobo, é claro que levei o ET junto. Pelo caminho, ele retrucou que eu estava tentando enganá-lo e que, na verdade, nosso líder era o cachorro, pois ele andava na frente e eu tinha que seguir, ainda por cima preso por um couro amarrado ao meu pulso. E limpando toda a sujeira que ele ia deixando. Pois eu apontei o dedo pra ele e lhe disse que, se ele pensava que o cachorro era o nosso líder, era porque não conhecia minha mãe. Quando a gente voltou pra casa, o bicho pegou. Ele quis brincar de ser o líder, talvez pensando em governar o mundo. Eu falei que já tinha gente demais querendo o cargo, mas ele pegou a coleira do Ziggy que tinha ficado lá na porta, amarrou no seu pescoço e prendeu a guia no meu pulso. E saiu correndo pela casa e me puxando. E... quebrou o vaso... Não, minha mãe não vai acreditar nessa...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-7590151159708752852?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/7590151159708752852/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/06/de-outro-planeta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/7590151159708752852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/7590151159708752852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/06/de-outro-planeta.html' title='De outro planeta'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-7280038232237544249</id><published>2010-05-11T23:48:00.000-03:00</published><updated>2010-05-11T23:48:24.087-03:00</updated><title type='text'>Troca-troca. Troca comigo?</title><content type='html'>Bocas trocam beijos, brigam, pedem perdão. Narizes dão beijo de esquimó. Mãos trocam afagos. Ou tapas. Os ouvidos ouvem tudo e não dizem nada. Também os pés trocam carinhos e calor debaixo da manta no inverno. E os sortudos dos joelhos, então? Se permitem encontros deliciosamente secretos sob as mesas – de refeição e de trabalho. Cérebros trocam ideias, olhos trocam olhares mesmo. De carinho, de ódio, trocam segredos. Até as bundas trocam propostas muito decentes em encontros de raspão nas boates. Fora as trocas miscigenadas. Mão com peito, pinto com coxa, boca com orelha, nariz com cangote, unha com costas. Mas eu fui nascer ombro. Ombro só dá. Dá ombro. Quem recebe é a lágrima do olho, é a mulher, a criança sonolenta. Outra coisa que ombro faz é ‘dar de ombros’, fingir que não se importa. Mas o problema é que eu me importo. Justo uma coisa que é a minha cara, eu não gosto de fazer. Tem mais. Se eu fico reto, dizem que são as costas. Se fico encurvado, aí sou eu mesmo. E isso quer dizer que a gente está ficando velho, arqueado. Será que eu não podia dar um indício de saúde? De alegria? De juventude? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja bem, eu não gosto de me queixar, até porque isso não é papel de ombro, mas eu acho que sou meio boiola. Podia ter nascido ombro de mulher, tem tanta mulher precisando de um ombro! Mas eu não; nasci ombro de homem. Latino, ainda por cima. Tudo que eu ganho é tapão quando encontro um amigo. Quanto melhor o amigo, maior o tapão. E tranco no jogo de pelada. Safanão na entrada do Morumba. Cutucão de velhinha querendo passar na nossa frente na fila do banco. Ombrada no terreiro de candomblé. Também ganho tensão no fim do dia. Dói pra caramba, mas a gente é que não vai fazer massagem, que isso não é coisa de homem. É coisa de mulher, que tem cútis, epiderme, tez. Homem tem couro, tem casca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, a gente foi assistir a um filme. Chamava Cinema Paradiso. Coisa de mulher. Mas o cérebro pensou que a gente faz qualquer coisa pra comer uma garota. Lá de baixo, o pinto concordou prontamente. Bem, lá fomos nós. O olho chorou um pouco. Eu mesmo queria pedir um ombro, só pra encostar, quando começou aquela música e o velhinho projetou o filme na praça pra cidade toda poder assistir. Mas a mão passou o punho da camisa em cima do olho, o nariz parou de fungar, as costas se empertigaram, o pinto su-miu e a boca disse que era cisco. E desconversou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, se a gente fica triste, desesperançoso, não pede ombro. Pede uma cerveja, pede pros amigos irem pra pelada no domingo, pede um remédio pro fígado na farmácia, pede mais serviço pra ficar até mais tarde, pede pr’aquele filho da puta tirar a merda daquele calhambeque da frente, quando quer entrar na Marginal. Muito a contragosto, pede até desculpas e jura não fazer mais. Mas, ombro, não pede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de ir à praia. Fico todo ardido, mas dói tanto que a boca se rende e pede pra alguma garota passar creme. Só assim a gente pode passar creme. Antes do câncer de pele, nem isso podia! Quando chega a noite, também é bom. Eu fico bem vermelho e elas me tocam de fraquinho pra ver se está quente. Dói um pouco, mas quem se importa? É melhor que tapão. Aí, elas assopram. A pele arrepia e dá um calorzinho por dentro... hummm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também já descobrimos que mulher mente. Se a gente pergunta o que elas olham primeiro num homem, dizem que é a boca, os olhos, as mãos. Mentira da grossa! O olho me disse que já viu num espelho. Quando a gente está de costas, elas olham é se os ombros são largos e se a bunda é dura. Coisa de mulher – mentir e medir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se quer saber, eu gosto mesmo é de dançar. Só que tem que ser música velha. Sabe como é? Quando uma mão dela, toda macia, me toca e às vezes me afaga. É gostoooosooo... todo mundo fica contente – a cabeça, a boca, o coração, a nuca, a orelha, a barriga, o peito, o pinto. Tem tanta promessa num afago enquanto a gente dança! Aí, ela vai apoiando a cabeça de leve em mim. É muito bom. O nariz disse que adora quando ela faz isso. Que cheira bem. Mas basta a gente chegar na festa e os olhos olharem pra pista de dança e os pulmões mandarem pra cima um suspiro de leve, os babacas dos pés já reclamam. Dizem que não vão dançar e que, além de doer, são esquerdos. Os dois. Mas os olhos me disseram que já viram e não é verdade. Tem um direito e um esquerdo. Incompetentes, mas certinhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá pra ser organismo assim?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-7280038232237544249?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/7280038232237544249/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/05/troca-troca-troca-comigo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/7280038232237544249'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/7280038232237544249'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/05/troca-troca-troca-comigo.html' title='Troca-troca. Troca comigo?'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-6401126352216745708</id><published>2010-04-09T13:28:00.002-03:00</published><updated>2010-04-09T13:28:53.179-03:00</updated><title type='text'>Elevador</title><content type='html'>Um corredor frio qual geleira, estreito e longo, móveis antigos, espelhos cobertos disfarçando almas entregues à desvida, um cheiro acre e úmido com a memória de anos de mágoa e desesperança. Passos esmagados pela escuridão. O mordomo funesto com seu dedo descarnado indicando o elevador, quase uma ordem. A porta fechada num átimo. O ar pouco no espaço exíguo. Subida rápida, parada súbita, a porta aberta. No hall, espectros. O som gutural de sua fala perdido naquelas gargantas mortas. Acenos desesperados, esgares, talvez um alerta, um pedido de socorro. A porta fechada com violência, antes do breve esboço de reação. Ânsia de vômito, respiração acelerada, mãos úmidas, suor escorrendo pelas têmporas. Olhos tateando na escuridão perversa. Mais um tranco. A queda veloz. Um baque surdo e, talvez, o fundo. Escuro. A voz se recusando a sair, agarrada às entranhas. Nova queda. As mãos em busca de algo em que se agarrar. Nada. Uma descida desenfreada até o fundo do fosso. Um estrondo e as portas abertas, quase escárnio. Lá fora, sol e calor desmentindo o ocorrido. Como é que alguém vem até aqui e deixa seus tostões, alegando se divertir?! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espera aí! Isso é uma cena do Disney World. Lugares não oprimem. Basta acender a luz, afastar as paredes, abaixar o volume. Mas como tirar o que marcou no passado? A enchente, as baratas, o palhaço do circo, o terremoto, a quebra da bolsa, a professora de matemática, os colegas violentos, o homem do saco, a injeção, o tsunami, a primeira paixão não-correspondida, o pedido de aumento de salário, a recusa da menina em dançar que o obrigou a atravessar o salão sozinho em direção ao riso cruel dos amigos, o parto natural, o discurso no dia da formatura, a blitz com uma ponta, o gol desperdiçado, a morte do pai, o assalto, o casamento desfeito, o pico de inflação, o acidente de carro, as provas escolares, a falta de respeito pelos direitos humanos, o tombo de bicicleta, a tentativa de estupro, o roubo da poupança, as almas penadas, a injustiça, o vestibular, o beijo na avó no caixão... Afora os desastres naturais e as baratas – é claro –, o que apaixona e apavora são as pessoas e as relações entre elas. Relações de poder e relações de confiança. E sempre que uma das partes rompe o contrato, o chão desaparece. Aí sim, a gente cai, como num sonho mau. Descrente, oprimido, inerte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-6401126352216745708?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/6401126352216745708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/04/elevador.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/6401126352216745708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/6401126352216745708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/04/elevador.html' title='Elevador'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-3836541811813910646</id><published>2010-03-26T02:38:00.000-03:00</published><updated>2010-03-26T02:38:51.966-03:00</updated><title type='text'>Catamexendo</title><content type='html'>Começa com o cachorro da esquina estrebuchando. Depois, aqueles dois chatos que moram na obra. Toda quarta é isso. Aí, ouve-se tocar a campainha do vizinho e a rua inteira se torna um quadribuleante latido. Dizem que seu nome é João Ribamar, mas garantir, ninguém. Tiraram ele da lida do gado, mas não tiraram dele a lida do gado. Puxa a carroça como fora um cavalo e aconchegantemente trata seus sarnentos cães com quereção de pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Miriam atende a porta e ele, catamexendo seus guardados, fala uma língua destagarelada, em um comprimismo quase mudo. Ouve-se uma algazarra de latas caindo e uma xingança sussussurrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bissurtado, um dos cachorros corre de um lado para o outro, late num portão, cheira uma árvore, vai até a esquina sem perder a carroça de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro está aboletado no topo da pilha de papelão, coçadamente sereno. Tem um ar pré-palaciano enquanto observa o homem agachado catando as latas e jogando de volta no carrinho. Espia só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ribamar, seja este seu nome, vem a minha porta e bate palmas. (Ai, Jesus! Quem de entender há?!) Em sua gaitência, ele fala algo inaudível. Mas sei o que quer. Levo uma caixa de papelão com vidros e garrafas. Na outra mão, uma garrafa com água. In vitro veritas. Parece que soei um alarme. O obvientado cão vem, língua pendurada, enquanto o outro salta iriguelado do carrinho. O homem, olhostagarelados, acarinha os dois, enquanto casebremente pega uma tigela e lhes serve. Bebe a água que sobra. Família é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua boca se abre num sorriso vão. Os três retomam cada qual o seu lugar e ele segue tocando seu gado-carroça, enquanto uma das rodas canta como carro de boi: inhééééééééééééé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-3836541811813910646?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/3836541811813910646/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/03/catamexendo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/3836541811813910646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/3836541811813910646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/03/catamexendo.html' title='Catamexendo'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-4143863455372601007</id><published>2010-03-21T01:12:00.003-03:00</published><updated>2010-03-21T03:35:38.112-03:00</updated><title type='text'>Alianças</title><content type='html'>- Opa! Já te trago a maquininha. É débito ou crédito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Débito. Nunca se sabe o que acontece no mês que vem. O serviço já está incluso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, muito obrigado... Adorei a sua bolsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Adorei sua bolsa?!!] Meus olhos preconceituosos correram para sua mão, esperando ver sei lá o que. Encontraram uma aliança de noivado. Que papo gay! Mas agachado ao lado da minha cadeira, ele prosseguiu sereno, indiferente a minha investigação muda, as mãos falando tanto quanto a boca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Todo mundo diz que está em busca de sua individualidade, mas fica tentando ser igual aos demais. Se você pensar bem, hoje em dia, todas as bolsas são parecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele divagava sobre formatos e tamanhos de artefatos de couro, mas as peças em si importavam pouco, milhas aquém de suas conjecturas. Era o Claude Lévi-Strauss da moda. Refletiu sobre essa angústia que, expressa em palavras, parece ferir a alma das pessoas, mas que desaparece nas ações. Ele entendia que, no fundo, todos buscam pertencer a algum grupo, qualquer grupo; e que sentir-se confortavelmente estranho aos demais não é para qualquer um. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentei que é discreta a separação entre esquisitice e transparência, honestidade, abertura – o que hoje chamam de atitude. E que o primeiro olhar é para as diferenças, muito mais do que para as semelhanças. Sua juventude dissipou-se em entendimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah! Como a Lady Gaga. Quando ela apareceu, todos achavam que era estranha. Hoje, é aceita, pois age conforme a sua natureza. Por outro lado, a Madonna está exagerando, soa falso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com exemplos singelos, ele descrevia um mundo. Seus dedos tamborilavam na mesa, como se suas palavras demandassem mais credibilidade. O pouco movimento do restaurante permitia que ele continuasse ali abaixado, em reflexões. E ele ecoava essa mesma transparência que suas palavras rascunharam, expressando a leveza de sua alma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portando mais uma lição de vida na tal da bolsa, levantei-me para ir embora. Estendeu-me sua mão e, com ela, algum outro tipo de aliança. “Volte sempre.” Sua voz trazia mais do que uma despedida formal. “Meu nome é Rony.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-4143863455372601007?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/4143863455372601007/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/03/aliancas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/4143863455372601007'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/4143863455372601007'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/03/aliancas.html' title='Alianças'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7729411518101117977.post-652100536456837000</id><published>2010-03-16T11:48:00.004-03:00</published><updated>2010-03-21T01:07:23.620-03:00</updated><title type='text'>Trampolim</title><content type='html'>Agora, eu pulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um salto perfeito, um daqueles bem difíceis que eu venho treinando há tanto tempo, cheio de volteios, um duplo mortal carpado e eu mergulhando quase sem espirrar água. Quando eu fizer aquele movimento com precisão, ao entrar de cabeça na água, todos vão soltar a respiração que vinham prendendo desde que eu saí graciosamente do trampolim e respirar aliviados e sorrir antes de explodir de emoção por ter visto o salto mais perfeito da história dos saltos ornamentais, é sim, e os juízes extasiados vão agitar os cartazes com a nota 10 e me carregar nos ombros até o Carro de Bombeiros para eu percorrer as ruas do centro da cidade envolta na bandeira, acenando para as multidões, e toda aquela serpentina voando como em final de Copa do Mundo com a música do Ayrton Senna tocando bem alto – tã tã tã, tã tã tã – e o chatão do Galvão Bueno berrando ÉéééduBrasiiiiiilllllll. Ah, eu vou extrair aplausos até dos pentelhos da 7ª B, daquelas colegas que riem de mim durante o treino, da babaca da minha prima Michele e da metida da tia Dalva que a inscreveu no curso de modelo e manequim (ai, meus sais!!); talvez até um Oh! do Olavo e um sorriso aprovador da minha mãe – aliás, se ela não sair daqui hoje dizendo que estou desperdiçando meu tempo precioso e o seu dinheiro precioso, já vai ser lucro, além de ser novidade absoluta, é sim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se eu fizer o primeiro movimento imperfeito, é certo que vou errar a pontaria, torcer o corpo para o lado invertido, dobrar as pernas, soltar o diafragma, dar mau jeito nas costas, urrar de dor em pleno ar, desmanchar esta merda de coque cheio de grampos que estão perfurando meu couro cabeludo e... e... e tomara que eu bata a cabeça na borda com muita força, é sim – se eu errar o primeiro movimento, vou mirar direto com a minha testa dura na beirada da piscina e acabar com tudo – com a risada das minhas muy-amigas, com a tontice da Michele e da tia Dalva, com o Oh! que nunca será pronunciado pelo Olavo e, é claro, com o olhar de desaprovação da minha mãe, que sempre vem acompanhado de um meneio de cabeça que esconde um “eu te avisei” e é seguido daquele mesmo velho e interminável discurso durante os quinhentos anos que demora para chegar daqui na droga da minha casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, se eu sair pelo menos com a cabeça sangrando e merecendo uma visita ao pronto-socorro e uns pontos, vai ter menos motivo para as risadinhas e os comentários cochichados; é sim, já vou mirar na beirada da piscina de cara – nem vou caprichar no pulo, pois eu sei que vou errar aquele primeiro movimento, sempre ele... isso mesmo, lá vou eu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7729411518101117977-652100536456837000?l=nocaminhoparaca.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/feeds/652100536456837000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/03/agora-eu-pulo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/652100536456837000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7729411518101117977/posts/default/652100536456837000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nocaminhoparaca.blogspot.com/2010/03/agora-eu-pulo.html' title='Trampolim'/><author><name>Elidia Novaes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10574331691717265657</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-mC4fb9Ksy9Y/Td3VZdhEvDI/AAAAAAAAEjw/TGM5aNxJYzc/s220/BlogEu_2.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
